segunda-feira, 11 de março de 2013

A Primeira Guerra Mundial e as bombas inteligentes


A primeira morte aconteceu nas proximidades do Jardim do Éden, lá na Mesopotâmia, onde se encontra o Iraque hoje. Nos primeiros momentos da história da chamada civilização. Não foi uma morte natural (a rigor nenhuma morte é natural). Foi um assassinato. O assassino era irmão da vítima e o matou por inveja. 


Aqui cabe uma pergunta não muito importante, mas curiosa: Qual foi a arma do crime? Não foi arma de fogo. Nem arma branca, pois os instrumentos cortantes de bronze ou de ferro só seriam feitos muitos anos depois por um descendente remoto do assassino, que se chamava Tubalcaim (Gn 4.22). Talvez tenha sido uma arma de arremesso, uma lança ou flecha de pau. Ou, quem sabe, Caim apertou o pescoço de Abel até o irmão morrer asfixiado. Pode ser também que o tenha enterrado vivo. Teria Caim dado uma paulada fatal na cabeça de Abel? Jogado o irmão num daqueles quatro braços do rio que saía do Éden? Amarrado o desafeto com cipó numa árvore de cabeça para baixo? A lista parece não ter fim e mostra que, para matar, basta a vontade, o ódio, a loucura. Depois, a explicação, a defesa, a mentira.

A partir daquele primeiro crime, o homem começou a fabricar armas. Dizia para si mesmo e para os outros que era para defender-se, para proteger a própria vida e a vida da família. Com as brigas familiares e a formação de muitos clãs, era preciso armar todo mundo para proteger o próprio clã, o próprio grupo, a própria tribo. Com a formação de aglomerados humanos maiores ou de tribos iterligadas, com o nome de países ou nações, tornou-se necessário armar certo número de indivíduos para proteger a própria pátria. Daí a obrigação do nacionalismo, a formação de exércitos, a justificação da guerra e a rendosa idústria armamentista, também chamada bélica. Sempre para defender, nunca para atacar... O último exemplo é a necessidade de destruir as "bombas atômicas dos países pobres" (nome que se dá às armas biológicas e químicas) com as "bombas inteligentes" dos países ricos, em defesa destes.

Houve uma época na história de Israel em que o poder bélico maior estava nas mãos de Faraó. A tentação de obter apoio do Egito era tão grande que o profeta foi prigado a anunciar: "Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro, e se estribam em cavalos, que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são mui fortes, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor" (Is 31.1).

Ontem, o orgulho era a quantidade enorme de verdadeiras carroças puxadas por animais e a força da cavalaria. Hoje, o orgulho são os porta-aviões, os destróiers, aviões de combate, os blindados, os mísseis, as bombas guiadas por satélites e, em especial, a bomba "estoura bunker".

Entre os carros e cavalos de Faraó e o arsenal químico de Sadan Hussein e os mísseis de Bill Clinton, já tivemos armas como o revólver, o fuzil, a baioneta, o canhão, a metralhadora, a granada, os submarinos movidos a diesel e os aviões que serviam só para fotografar, localizar artilharias e lançar algumas bombas. O poder de tiro dos primeiros aviões de guerra dependia do piloto que carregava uma pistola na mão. Mais tarde, foram montadas metralhadoras no nariz do avião, cuja velocidade de tiro estava sincronizada para evitar as pás da hélice através das quais atiravam.

A última vedete da corrida armamentista é a bomba inteligente GBU-28, conhecida como a bomba "estoura bunker". Foi construída para destruir "bunkers", um tipo muito resistente de casamata — abrigo subterrâneo blindado. A bomba de 3,7 metros de comprimento e 2,7 toneladas de peso fura paredes de concreto de 4 metros e vai descendo até chegar ao alvo principal, onde finalmente explode. No dizer de Luís Fernando Veríssimo, são "bombas que entram pela porta, pegam o elevador, descem até o subsolo e explodem". Logo atrás das GBU-28, estão os mais recentes mísseis "Tomabawk", com novo sistema de direção, que aumentou a sua já incrível precisão, e com maior autonomia de vôo (de 1.120 para 1.600 km).

O que se pode esperar da conjugação da natureza humana com a indústria bélica? O elemento mais perigoso não é a corrida armamentista em si. O elemento mais perigoso e anterior à produção e ao aperfeiçoamento de armas é a natureza humana. Caim não tinha arma alguma e matou seu irmão Abel (Gn 4.1-16). A natureza humana é um hotel que hospeda muitos hóspedes: a inveja, o ódio, a vingança, a insatisfação, o egoísmo, a exploração, a dominação, o endeusamento próprio, a desonestidade, o roubo, a violência, a mentira, o assassinato e a loucura. A salvação é individual e começa com o desespero causado pela descoberta do pecado dentro do próprio peito, quando, só então, o culpado grita por socorro!
Fonte: http://www.ultimato.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário