segunda-feira, 27 de julho de 2020

Refugiado - Somos todos filhos da mesma Terra.

O termo refugiado se refere a uma categoria específica de deslocado internacional. Nem todo imigrante é refugiado, pois segundo a ACNUR (Alto Comissariado da Nações Unidas para Refugiados), são consideradas pessoas refugiadas apenas aquelas que sofrem com um temor fundado de perseguição, ou seja, pessoas que realmente encontram em seu lugar de origem um risco de vida. Vale destacar que esses refugiados sofrem, pois há o rompimento de laços sociais, familiares e culturais.

Na última década o acirramento dos conflitos armados no Oriente Médio foi um catalisador dos intensos fluxos de saída na Ásia. Deste continente partem quase 60% do total de refugiados do mundo e é nele que se abriga mais da metade desde total. Os países mais ricos da União Europeia são grandes pólos de atração da rota dos refugiados, porém, países como Turquia, Paquistão e Líbano recebem um número duas vezes maior do que os países integrantes desse bloco. Na África, segunda no ranking de fluxo de refugiados, 90% dos desalojados permanecem no continente, evidenciado o fator geográfico como forte determinante na escolha do destino (principalmente pelo alto custo do tráfico para a Europa) e também a questão de que a urgência leva as pessoas a fugirem para a nação mais próxima.

A chamada “crise dos refugiados” traz à tona a questão do acirramento do sentimento de xenofobia, que é o temor infundado a pessoas estranhas ao seu meio, como os estrangeiros. Ocorrendo principalmente na Europa e nos Estados Unidos em contexto de estagnação econômica e medo do terrorismo, baseia-se em um sentimento de superioridade de uma cultura sobre outra, estereótipos (como a islamofobia) e argumentos de perdas econômicas.

Outras categorias importantes para essa questão:

  • Migrante – Qualquer pessoa que se desloca do país/região em que nasceu. Há dentro desta categoria, o chamado migrante econômico que é quem saiu do seu país de origem por vontade própria motivado por melhores condições de trabalho. A maioria se desloca para países mais desenvolvidos porém, desde a crise de 2008 as nações em desenvolvimento (e não apenas as desenvolvidas, que foram as principais nações afetadas pela crise) também atraem estrangeiros com motivações econômicas.
  • Emigrante – Indivíduo que deixa determinado lugar para estadia permanente. Dentre os motivos estudados para emigração, há aqueles que participam do fenômeno conhecido como “fuga de cérebros”, isto é, trabalhadores qualificados de países mais pobres e/ou com poucas oportunidades profissionais, que são atraídos para países com maior capacidade de absorção de mão de obra qualificada.
  • Imigrante – É o status do migrante ao entrar em outro país/região para ali viver. O refugiado é obrigatoriamente um imigrante, mas nem todo imigrante é refugiado. Dentro da categoria de imigrante, os refugiados correspondem à uma categoria legal definida pelo Estatuto do Refugiado de 1951. Segundo esse documento todo o indivíduo que sofrer perseguição por grupo social, religião, raça, etnia e posicionamento político pode recorrer ao status de refugiado. Se o país assinou o documento da ONU, o refugiado deve ser recebido e não pode ser extraditado.
  • Deslocado internamente – Ocorre quando não há a travessia da fronteira, ou seja: quando a pessoa deixa sua casa fugindo de uma situação de violência, mas não sai do seu país. A maior parte deste movimento ocorre na Ásia e África. Na América do Sul a Colômbia se destaca pelos conflitos internos envolvendo as FARC e ELN.

Bibliografia

Guia do Estudante. Atualidades vestibular + ENEM. Ed.26. 2º S 2017 Editora Abril

Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/sociologia/refugiado/

Arquivado em: Sociologia.

Graduada em História (UFF, 2017)
Mestre em Sociologia e Antropologia (UFRJ, 2012)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2009

Texto copiado na íntegra em 27/07/2020.

Fonte: https://www.infoescola.com/sociologia/refugiado/



Fonte:  https://www.youtube.com/watch?v=FRr74ICyvd8 - Em 27/07/ 2020.


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Os Estados Unidos no século XIX.

Durante o século XIX, importantes eventos históricos aconteceram nos Estados Unidos, como a expansão territorial do país e a Guerra Civil Americana.

Durante o século XIX, os Estados Unidos consolidaram-se como nação independente ao fortalecer suas instituições políticas, expandir suas fronteiras e desenvolver um sentimento nacionalista. Eventos extremamente importantes aconteceram ao longo desse século e marcaram a história desse país, sobretudo a marcha para o oeste e a Guerra de Secessão.

Expansão territorial: a marcha para o oeste

Após terem sua independência reconhecida pela Inglaterra no Tratado de Paris, em 1783, os Estados Unidos garantiram o controle sobre uma extensa faixa de terra, que se estendia da região dos Montes Apalaches ao Rio Mississípi. Iniciava-se, assim, a expansão territorial dos Estados Unidos em direção à costa do Pacífico.

Esse processo de ampliação do território americano recebeu o nome de “marcha para o oeste” e ocorreu de duas maneiras: pela diplomacia ou compra e pela guerra. A diplomacia e a compra possibilitaram a adquisição da Luisiana (1803), da Flórida (1819) e do Alasca (1867). A partir da guerra, os Estados Unidos conseguiram tomar territórios do México.

A Luisiana pertencia aos franceses, mas a perda do Haiti e as dificuldades financeiras enfrentadas pela França, no início do século XIX, fizeram esse país vender a região para os Estados Unidos por 15 milhões de dólares. A Flórida foi vendida por 5 milhões de dólares pelos espanhóis em razão das dificuldades que esse país enfrentava na Europa, relacionadas com o período napoleônico. Por fim, os russos venderam o Alasca por 7,2 milhões de dólares por causa do temor de que a região fosse invadida pelos britânicos.

No entanto, não foi somente a partir da diplomacia que o território americano cresceu, pois, conforme mencionamos, a guerra também contribuiu para esse processo expansionista. Durante a marcha para o oeste, os americanos travaram conflitos contra os mexicanos por territórios que hoje correspondem a uma porção de estados americanos (Califórnia, Arizona, Novo México etc.).

A rivalidade entre as duas nações iniciou-se com a Revolução do Texas, em que colonos americanos, insatisfeitos com a administração mexicana do Texas, rebelaram-se e declararam a independência dessa região em 1836. O interesse dos Estados Unidos por novos territórios mexicanos (que equivalem, principalmente, à Califórnia) e a anexação do Texas levaram as duas nações à guerra.

Conhecida como Guerra Mexicano-Americana, e ocorrida entre 1846 e 1848, essa guerra foi finalizada com a assinatura do Tratado Guadalupe-Hidalgo, que ratificava a vitória americana. Com essa vitória, os americanos assumiram a posse de um vasto território e estabeleceram as fronteiras entre os dois países no Rio Grande. O México foi indenizado em 15 milhões de dólares pelos territórios perdidos e teve uma dívida de 3,2 milhões de dólares perdoada.

A ocupação de todos esses territórios por cidadãos americanos e estrangeiros, que imigraram para os Estados Unidos nessa época, foi incentivada a partir da década de 1860, quando Abraham Lincoln assinou a Lei do Povoamento (Homestead Act). Essa lei vendia lotes de terra por preços irrisórios, desde de que o comprador assumisse o compromisso de morar e plantar em sua propriedade durante cinco anos.

Durante esse processo de expansão territorial dos Estados Unidos, os grandes perdedores foram os indígenas que, repetidas vezes, foram obrigados pelos americanos a saírem de suas terras. A marcha para o oeste acabou provocando a morte de milhões desses povos por causa da violência com que foram tratados e da destruição de seu modo de vida.

A violência contra os indígenas, nesse período, acabou rendendo episódios como o decreto da Lei de Remoção de Índios, de 1830, que obrigou várias nações indígenas a mudarem-se da região da Geórgia, e proximidades, para o oeste do Rio Mississípi. Isso levou à chamada Trilha das Lágrimas, evento que causou a morte de milhares de pessoas, de diferentes nações indígenas, durante a marcha forçada para a nova reserva estabelecida pelo governo.

Esse processo de expansão para o oeste e o ataque contra mexicanos e indígenas foram justificados por uma ideologia conhecida como Destino Manifesto. Surgidos oficialmente em 1845, esses ideais afirmavam que os Estados Unidos eram uma nação predestinada por Deus para ocupar aqueles territórios e levar a “civilização” para esses locais. Esse pensamento foi utilizado também para justificar todas as violências cometidas durante todo esse processo de expansão territorial.

Guerra de Secessão

Um dos principais eventos que marcaram a história dos Estados Unidos, ao longo do século XIX, foi a Guerra de Secessão, também conhecida como Guerra Civil Americana. Esse conflito foi iniciado em 1861, com a secessão (separação) dos estados sulistas, e encerrou-se em 1865, com a derrota dos sulistas e sua reintegração à União. Essa guerra ocasionou a morte de 600 mil pessoas.

Esse conflito foi resultado da rivalidade existente entre os estados nortistas e sulistas em relação à expansão do trabalho escravo para os territórios recém-conquistados pelos Estados Unidos. Os estados sulistas queriam a expandir a escravidão para os novos territórios, enquanto os nortistas eram contrários a essa proposta.

Esse debate dividiu politicamente a nação e levou a pequenos conflitos entre colonos nortistas e sulistas em alguns locais como o Kansas. Essa disputa alcançou o debate presidencial, e a vitória de Abraham Lincoln acabou provocando a insatisfação dos sulistas, que se separaram da nação e fundaram os Estados Confederados da América.

A separação dos sulistas foi o estopim da guerra, o que fez as tropas da União lutarem para reintegrar os estados rebeldes ao território americano. Ao fim da guerra, os sulistas, derrotados, além de serem reintegrados à União, foram obrigados a aceitar a abolição da escravidão em todo território dos Estados Unidos a partir da 13ª Emenda Constitucional.

Por Daniel Neves
Graduado em Históri.

Texto copiado na íntegra.

Fonte:https://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/os-estados-unidos-no-seculo-xix.htm