quarta-feira, 28 de março de 2012

Descoberta de fóssil revela hominídeo capaz de andar sobre dois pés

Na imagem, parte do osso do pé direito de um hominídeo que viveu há 3.4 milhões de
anos.



Pesquisadores descobriram que havia outro hominídeo, contemporânea à Lucy, que caminhava sobre dois pés, embora passasse a maior parte do tempo nas árvores. A descoberta do fóssil de três milhões de anos serve como uma nova compreensão sobre a evolução humana e a capacidade de andar sobre dois pés. A criatura bípede foi revelada quando uma equipe internacional de pesquisadores encontrou parte do fóssil de um pé no leste da África. Assim o hominídeo Australopithecus afarensis, cujo fóssil mais famoso é conhecido como Lucy, ele caminhava sobre dois pés, mas tinham o modelo do pé adaptado para subir árvores. De acordo com os pesquisadores a descoberta deixa claro que vários parentes do ser humano tentaram andar em pé. “Esta é só mais uma prova para solucionar o mistério de como viemos de um pé primitivo para um pé moderno”, disse Bruce Latimer, da Universidade de Case Western Reserve, que participou do estudo publicado nesta quarta-feira (28) no periódico científico NatureCientistas ainda sabem muito pouco sobre este hominídeo que viveu no mesmo período que Lucy, pois ainda não foi encontrado nenhum crânio ou dente que possibilitassem alguma determinação referente à espécie. A única coisa que eles sabem é que o fóssil do pé não vem de um indivíduo da espécie de Lucy, Australopithecus afarensis.A análise do fóssil encontrado em Afar, na Etiópia, mostrou que os fragmentos vêm do pé direito de um hominídeo que viveu há 3,4 milhões de anos. Enquanto Lucy tinha pés parecidos com o de humanos, o pé do novo hominídeo parecia ser menos desenvolvido.“Esta descoberta é a primeira prova de que havia uma segunda espécie naquele período”, disse Tim White, diretor do Centro de Pesquisa em Evolução Humana da Universidade da Califórnia em Berkeley, que não esteve envolvido com a descoberta.Fonte: www.ig.com.br






domingo, 25 de março de 2012

A importância da relação entre política, religião e sociedade moderna


Nas Reformas a relação entre política, religião e organização social foi de fundamental importância, tanto para ratificar, quanto para negar o poder de um ou do outro grupo. Pois enquanto a Contrarreforma conferiu poderes absolutos aos reis de Espanha e de Portugal, por exemplo, dando início ao surgimento do Absolutismo Moderno. Na Inglaterra perdeu poder, tendo até seus bens confiscados.

As Reformas religiosas refletiam diretamente na política, uma vez que os reis eram apoiados pelo Papa seus poderes tenderiam a aumentar possibilitando ao rei um maior controle sobre a sociedade. Por outro lado quando se verifica um rompimento com a Igreja Católica, como aconteceu com a Inglaterra, Alemanha, Suíça e outros países a Igreja perde o poder de definir os destinos das pessoas, como se pode verificar nesses países, em alguns deles os fieis chagaram a apontar a Igreja Católica como responsável pela miséria do povo, uma vez que esta era proprietária de muitas terras, enquanto muitos fiéis não tinham onde plantar.

Esses movimentos tendiam a fortalecer o poder do rei diante da população que estava por vários motivas insatisfeitos com a Igreja Católica os antigos fiéis muitas das vezes até se lucravam dos bens que eram confiscados da Igreja pelo rei. Além de se verem livres das cobranças de impostos de Igreja, de recolher esmolas, de pagar as indulgências, entre outras coisas.

As Reformas que começaram na religião têm importante impacto na vida política, econômica, social, e cultural do povo Moderno. As pregações de Lutero e de seus seguidores iam muito além do campo religioso, questionavam privilégios, os luxos, a distância das pregações da Igreja com a fala cristã, a corrupção, o enriquecimento da instituição católica diante da miséria da população, etc.

As Reformas possibilitaram uma vinculação direta entre política, religião e sociedade. Com as reformas surgiu se novas possibilidades de se contestar a hierarquia católica, trazendo ao homem a oportunidade de “libertação” e a possibilidade de prosperidade, levando nobres, camponeses e burgueses a apoiar os ideais de Lutero em muitas partes da Europa. Enquanto os reis preocupados em ampliar seu poder se divergiam em guerras religiosas.  

As 9 as religiões principais no mundo



 Seria impossível listar exatamente todas as religiões que existem no mundo. Existem milhares ou milhões de crenças espalhadas pelo mundo, algumas dessas praticadas por apenas centenas de pessoas, tornando-se impraticável a contagem dos mesmos. Seguindo ao pé-da-letra a concepção de religião e sendo um pouco egocêntrico, chegamos a apenas 9 religiões. Todas elas partem do coceito comum que são transcendentais e utilizam de forças divinas.

cristianismo– > Cristianismo: com cerca de 2100 milhões de adeptos, essa é a religião mais comum e mais polêmica. Monoteísta, baseia-se nos ensinamentos de Jesus, estes recolhidos no Evangélio, parte do Novo Testamento. Para os cristãos, Jesus é o messias e por ele fazem referência como Jesus Cristo. Nasceu no século I como seita do judaísmo, compartilhando textos como o Tanakh, denominado pelos cristões como Velho Testamento. É considerado uma religião abraâmica. Acreditam na vida após a morte e na salvação para a vida eterna. Os cristões se reúnem em Igrejas. As Igrejas são dividas em Católica, Protestante e Ortodoxa. É nesse ponto que muitos costumam errar na nomeclatura. Catolicismo, ortodoxismo e outras denominações não são religiões, e sim igrejas de uma única religião. Jesus, para ele é humano e divino. Crêem na trindade (doutrina para Deus em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo) e na ressureição.
Denominações: Nestorinanismo, Igreja Ortodoxa Oriental, Igreja Ortodoxa, Igreja Católica, Anglicanismo, Protestanismo, Anabaptistas, Restauracionismo. No Protestanismo, são destintos históricos: luteranos, anglicanos, prebiterianos, metodistas, batistas; destintos pentecostais: Assembleias de Deus, O Brasil para Cristo, Congregação Cristã, Igreja Cristã Maranata e a Igreja do Evangelho Quadrangular; destintos neopentecostais: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Igreja Evangélica Cristo Vive, Igreja Cristo Vive, Manancial Vida, Igreja de Nova Vida, Comunidade Cristã, Igreja Bola de Neve e a Igreja Unida, entre outras.

 islamismo -> Islã (ou islamismo ou islão): A segunda mais importante religião, chegando a 1300 milhões de adeptos. Monoteísta, surgiu no século VII na Península Arábica, baseada nos ensinamentos do profeta Maomé e na escritura sagrada do Alcorão. Para os muçulmanos, a religião nasceu quando Adão surgiu, ou seja, desde o nascimento, onde foi o primeiro profeta, Maomé então seria o último. Para chegar à salvação, basta acreditar em um único Deus (chahada),  rezar cinco vezes ao dia (Salá), cumprir um jejum anual no mês do Ramadão (Saum), pagar dádivas rituais (Zakat) e ir ao menos uma vez à Meca peregrinar (Haj). O Deus chama-se Alá, e crêem em anjos de Alá. Crêem também nos livros sagrados de Torá, Salmos e Evangelho. O Alcorão é o livro sagrado. Acreditam no dia do julgamento final e na predestinação.
Denominações: Sunitas, Xiitas e Kharijitas

 hinduismo -> Hinduísmo (ou Sanātana Dharm): tradição religiosa originada do subcontinente indiano que abrange o bramanismo, crendo na Alma Universal. Dentre as seis divisões históricas (darshanas), somente duas sobrevivem, a Ioga e Vedanta. As principais divisões hoje são: vixnuísmo, xivaísmo, smartismo e shaktismo. Os temas discutidos pelos religiosos são o dharma (ética hindú), samsara (ciclo nascimento, morte e renascimento), karma (ação e reação), moksha (libertação do samsara) e as iogas. São os quatro objetivos de vida (purushartha): kama, artha, dharma e moksha. São os quatro estágios da vida humana: Brahmacharya, Grihasthya, Vanaprastha e Sanyasa. O hinduísmo é fortemente lembrado como a mais antiga tradição religiosa. Crêem no caminho eterno e no ioga (união). As vacas são sagradas porque na antiguidade o povo védico necessitava delas para seus sustentos, como a produção de laticínios e a aragem. Por isso, cerca de 30% dos hindus são vegetarianos. Suas formas de adoração são os murtis e mantras. O Hinduísmo não é politeísta, mas não é um monoteísmo restrito.

budismo-> Budismo: mais que uma religião, é uma filosofia baseada nos ensinamentos de Sidarta Gautana. Conta com certa de 380 milhões de seguidores, é uma religião conhecida em todo mundo pela sua cultura. Para certos pesquisadores e estudantes, o budismo pode não ser considerado como religião, porque não existe um Deus criador, dogmas e proselitismo. O budismo é o caminho para o crescimento espiritual, através dos ensinamentos de Buddhas. Seus ensinamentos básicos: evitar o mal, fazer o bem e cultivar a mente, objetivando o fim do ciclo de sofrimento (samsara) e o caminho da libertação (nirvana). Para se eliminar a dor, deve-se eliminar o desejo. Os treinamentos mentais destinguem a disciplina moral (sila), a concentração meditativa (samadhi) e a sabedoria (prajiña). Os budistas não negam a existência de seres sobrenaturais, mas não atribuiem-os tributos de criação ou destruição. Os símbolos do budismo são a flor de lótus e a cruz suática.

Sikhismo-> Sikhismo: Religião monoteísta fundada em Penjab por volta do século XV pelo Guru Nanak. Baseado nos ensinamentos de 10 Gurus e tendo Guru Granth Sahib como 11° e último Guru, um livro sagrado. Deus, para os adeptos, não possue forma e é eterno, e é o criador do mundo e dos seres. O sikhismo explica que o homem é separado de Deus no cíclo do renascimento (samsara) devido ao egocentrismo. Acreditam no karma(pensamentos positivos geram ações positivas) e que ações negativas geram infelicidade e renascimento para seres inferiores (animais, plantas etc.). Os templos recebem nome deGurdwaras. Um rito comum: ao nascer, o bebê é levado a uma gurdwara e é aberto uma página qualquer do Guru Granth Sahib. Então, o nome da criança começará com a primeira letra da primeira palavra da página esquerda do livro. Os homens e mulheres que cortam seus cabelos são chamados de patit, ou renegados. Pussue cerca de 23 milhões de adeptos.

judaismo-> Judaísmo: Religião do povo Judeu e mais antiga das principais religiões monoteístas surgiu da religião mosaica. O Deus é chamado de YHWH ou Adonai ou HaShem. Segundo os judeus, Israel foi escolhido para receber o Torá (ensinamentos desse Deus). Deus é um criador ativo e de influência, e o judeu é o único com linhagem para ter um pacto eterno com Deus. É comum o uso do hebráico como língua litúrgica. Cerca de 15 milhões de adeptos, os judeus não são obrigados a seguir o judaísmo, mesmo que o judaísmo só possa ser praticado por judeus. Acreditam na ressureição e na vida além-morte.

espitismo-> Espiritísmo: Crêem na existência de um espírito imortal, na reencanação e na intermediação entre o mundo espiritual e o mundo real através de um Médium. Para os espíritas, o homem é um espírito ligado a um corpo através de uma alma. Esse espírito é imortal e a reencarnação é o processo natural que permite vidas sucessivas. Cerca de 15 milhões de adeptos. No Brasil, é comum vermos o Candomblé e a Umbanda, que são cultos afro-brasileiros que possuem ligações com a Doutrina Espírita.
Denominações: Espiritismo Kardecista, Cultos Afro-brasileiros, Racionalismo Cristão, Espiritismo Ramatisiano, Conscienciologia e Renovação Cristã.

fé-bahá'i-> Fé Bahá’i: Fundada por Bahá’u'lláh em 1844 na antiga Pérsia. Não possui dogmas, rituais, clero e sacerdócio. Os seguidores são chamados como Bahá’u'lláh e baseam-se no contínuo progresso da civilização e no respeito à humanidade. É uma religião monoteísta e crêe que Deus é o criador de tudo e de todos. Deus é eterno e inacessível. Os Manifestantes de Deus são mensageiros divinos e vieram para educar a humanidade. Acreditam ser a religião única e verdadeira e para isso, religião é uma palavra que não tem plural. É extremamente contra qualquer tipo de preconceito ou desrespeito à humanidade, como a extremidade entre ricos e pobres, guerras e corrupções. Possue um calendário com 19 meses com 19 dias cada, completando um ano a cada 365 dias. Os Bahá’ís são perseguidos em países islâmicos. Obtem cerca de7 milhões de adeptos.

jainismo-> Jainismo (ou Jinismo): Uma das religiões mais antigas da Índia. Como o budismo, crêe em um único Deus mas não atribui a ele atributos de necessidade e figura central. Acredita-se que surgiu no século V a.C. devido as ações de Mahavira. Constitui cerca de 4 milhões de adeptos, que devem combater a paixões em busca da libertação. Uma visão duelista, é necessário ascetismo para a purificação. O tempo é infinito e cíclico. O universo é dividido em cinco mundos habitados por determinados seres. O universo é eterno e não foi criado por nada e ninguém e os mundos são siddhashila (onde habitam as almas libertadas), madhyaloka (possuem continentes e um deles onde o ser humano habita),adholoka (sete infernos), nigoda (habitado por seres inferiores).


terça-feira, 13 de março de 2012

AS 95 TESES DE LUTERO.


1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.
2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).
3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.
4. Por consequência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.
5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.
6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoados os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações, a culpa permaneceria.
7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.
8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.
9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.
10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.
11. Essa cizânia de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.
12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.
13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.
14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais quanto menor for o amor.
15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.
16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.
17. Parece necessário, para as almas no purgatório, que o horror devesse diminuir à medida que o amor crescesse.
18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontrem fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.
19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza disso.
20. Portanto, por remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.
21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.
22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.
23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.
24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.
25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.
26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.
27. Pregam doutrina mundana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].
28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa[1], pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.
29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas, como na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal?
30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.
31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.
32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.
33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Ele.
34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.
35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.
36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plena tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de indulgência.
37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem carta de indulgência.
38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina[2].
39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar simultaneamente perante o povo a liberalidade de indulgências e a verdadeira contrição.[3]
40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, ou pelo menos dá ocasião para tanto.[4]
41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.[5]
42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.
43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.[6]
44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.
45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.
46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.
47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.
48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (assim como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que do dinheiro que se está pronto a pagar.
49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.
50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.
52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.
53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.
54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.
55. A atitude do Papa necessariamente é: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.
56. Os tesouros da Igreja, a partir dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.
57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.
58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.
59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.
60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem estes tesouros.
61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos especiais, o poder do papa por si só é suficiente.[7]
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63. Mas este tesouro é certamente o mais odiado, pois faz com que os primeiros sejam os últimos.
64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é certamente o mais benquisto, pois faz dos últimos os primeiros.
65. Portanto, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.
66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.
67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tais, na medida em que dão boa renda.
68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.
70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbidos pelo papa.
71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.
72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências.
73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências,
74. muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram fraudar a santa caridade e verdade.
75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes a ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.
76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados venais no que se refere à sua culpa.
77. A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa.
78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I.Coríntios XII.
79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insigneamente erguida, eqüivale à cruz de Cristo.
80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes sermões sejam difundidos entre o povo.
81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil nem para os homens doutos defender a dignidade do papa contra calúnias ou questões, sem dúvida argutas, dos leigos.
82. Por exemplo: Por que o papa não esvazia o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas – o que seria a mais justa de todas as causas –, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica – que é uma causa tão insignificante?
83. Do mesmo modo: Por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?
84. Do mesmo modo: Que nova piedade de Deus e do papa é essa que, por causa do dinheiro, permite ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, mas não a redime por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta por amor gratuito?
85. Do mesmo modo: Por que os cânones penitenciais – de fato e por desuso já há muito revogados e mortos – ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?
86. Do mesmo modo: Por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos ricos mais crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?
87. Do mesmo modo: O que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à plena remissão e participação?
88. Do mesmo modo: Que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações cem vezes ao dia a qualquer dos fiéis?
89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências, outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?
90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os cristãos infelizes.
91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.
92. Portanto, fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo "Paz, paz!" sem que haja paz!
93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo "Cruz! Cruz!" sem que haja cruz![8]
94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno.
95. E que confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.